Após baque com pandemia, setor imobiliário pode captar até R$ 15 bi na B3


(Estado de S.Paulo) – 09/07/20

O número de empresas buscando atrair investidores na bolsa de valores está crescendo em um ritmo acelerado no mundo pós-pandemia. Embora as proponentes sejam dos mais variados setores da economia, um deles tem se destacado: o imobiliário. Há mais de uma dezena de incorporadoras se preparando para realizar ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) neste ano, operações que juntas têm potencial para movimentar em torno de R$ 15 bilhões.

Se tiverem sucesso, essa será a maior migração de empresas de construção para a bolsa em mais de uma década. Isso significará que o número de incorporadoras listadas passará de 21 para mais de 30 até o fim do ano. Com os bilhões de reais que serão direcionados ao caixa, as empresas ganharão um novo impulso. O setor vinha ampliando lançamentos e vendas desde meados de 2018, mas o movimento acabou interrompido pela quarentena.

Apesar do baque que veio com a pandemia, o otimismo no setor vai sendo retomado. Os juros mais baixos dos financiamentos, a demanda reprimida por moradias desde a última crise, e o preço baixo dos imóveis (eles cresceram menos que a inflação nos últimos anos) são vistos como ingredientes para uma nova era de bonança.

O entendimento de empresários e investidores é que a pandemia apenas atrasou, mas não apagou as perspectivas de expansão. Daí a importância da capitalização na bolsa como forma de fortalecer o caixa das companhias para comprarem terrenos e lançarem mais empreendimentos.

Na leva de ofertas em meio à pandemia, a primeira a estrear será a da Riva9, subsidiária da Direcional Engenharia. A oferta já foi lançada e deve ser concluída no fim do mês, podendo alcançar até R$ 1,2 bilhão. O dinheiro vai para a compra de parte dos empreendimentos que estão organizados sob da holding, além de desenvolver novos projetos.

A que publicou mais recentemente o prospecto da oferta foi a Lavvi, incorporadora do grupo Cyrela, com foco em empreendimentos de médio e alto padrão. Ela tem em comum com a holding a presença do lendário empresário Elie Horn na presidência do conselho. A Lavvi ainda não divulgou quanto prevê levantar em seu IPO, mas fontes do mercado especulam uma cifra entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão.

Aliás, a Cyrela deve ser uma mais maiores ganhadoras dessa onda de capitalizações, com três de suas empresas buscando abrir o capital. Além da Lavvi, também já publicou a documentação da oferta a construtora Cury. Outra que estaria buscando abrir capital é a Plano&Plano, segundo fontes. Em ambas, a Cyrela é dona de 50% de participação, de modo que o IPO serviria para vender suas fatias por lá.

Pelos cálculos do Credit Suisse, a Cyrela poderia destravar até R$ 900 milhões em valor para seus acionistas por meio das vendas, sendo R$ 540 milhões via Cury e R$ 350 milhões da Plano & Plano. O cálculo não considerou a Lavvi, que divulgou seu prospecto ontem. Para a próxima janela, em setembro, a You Inc. deve se lançar ao mercado.

A fila de IPOs tem ainda outros prospectos lançados no comecinho do ano, antes da chegada da pandemia, que ainda podem ser retomados. São os casos das incorporadoras Canopus, Pacaembu e One, além da loteadora Alphaville Urbanismo. Sem prospecto, mas também com planos de abrir o capital, segundo fontes, está a construtora Kallas.

Em paralelo, está correndo também a oferta subsequente de ações (follow on) da JHSF Participações, que atua nos ramos de incorporação, shoppings, hotéis e restaurantes da rede Fasano. A operação deve girar em torno de R$ 400 milhões. Os recursos serão usados para equilibrar a dívida e expandir cada um dos segmentos, com destaque para novas estratégias digitais.

Setor de construção ia bem antes da crise
No começo do ano, as expectativas de captação do setor já eram elevadas, com um número crescente de empresas mirando a bolsa de valores. Em fevereiro, duas do setor já tinham colocado o pé na bolsa, a Mitre Realty e Moura Dubeaux.

Antes da chegada das estreantes, as empresas de construção já listadas na bolsa captaram um total de R$ 5,5 bilhões por meio de oferta subsequente de ações ao longo de 2019. Foram os casos de Tecnisa, Trisul, Eztec, Helbor e Gafisa, entre outras, que usaram esse dinheiro para pagar dívidas e aplicar em novos empreendimentos.

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