Onde você quer trabalhar? Pandemia faz empresas adotarem também o coworking


(UOL) – 21/10/20

A popularização do home office não será a única tendência de infraestrutura adotada pelas empresas pós-pandemia. O mercado começa a dar sinais também da migração dos escritórios tradicionais para os espaços de coworking – ou ainda, uma mistura desses três modelos de trabalho.

“Temos empresas com base tecnológica que estão se desfazendo de seus escritórios e migrando 100% para o Office Pass, nosso modelo de assinatura de escritório como serviço”, relata Roberta Vasconcelos, CEO da Beer or Coffee, o maior marketplace de coworkings da América Latina.

Entre elas está a Algar, quinta maior telecom do país. Recentemente, os 40 escritórios regionais foram substituídos por uma assinatura para todos os colaboradores. A carteira de clientes da Beer or Coffee também já inclui Itaú, iFood, Banco Inter, Renault e Roche, entre outros.

A WeWork, gigante global do setor, também notou um crescente interesse das grandes empresas. No segundo trimestre, pela primeira vez, seu segmento dedicado a companhias com mais de mil funcionários passou a representar mais de 50% de sua receita. “Ele está crescendo duas vezes mais rápido do que o segmento de pequenas empresas”, afirma Lucas Mendes, gerente geral da marca no Brasil.

O funcionário vai escolher onde fica

“A pandemia acabou acelerando [essa tendência]. Porque todas as empresas foram obrigadas a repensar [o modelo de trabalho], seja por custo, seja pela experiência dos funcionários”, acredita Mendes.

Na Beer or Coffee, Roberta tem visto um crescente interesse por modelos híbridos, exatamente para ampliar as opções dos colaboradores. “Estamos vendo empresas tradicionais registrando escritórios próprios na nossa plataforma, para que seus colaboradores possam agendar e eles possam monitorar quantos estão usando o espaço, e também para permitir que eles trabalhem de coworkings perto de suas casas”, afirma.

“O híbrido se tornará cada vez mais normal, porque uma vez que as pessoas experimentam essa possibilidade, isso vira um fator de contratação e retenção de talentos”, opina a CEO. Para ela, o elemento determinante nessa transição será a cultura de cada empresa. “Quando estivermos em uma rotina normal de trabalho remoto, que não é o que estamos vivendo hoje, com filhos em casa, a gente vai chegar em um equilíbrio”, antecipa.

Fernando Taddeo, um dos sócios da Nidos.Work, em São Paulo, acredita que iremos testemunhar o pico do coworking no início de 2021. Mas, por enquanto, ele ainda está se reestruturando: assim como em outros setores da economia, a crise sanitária parece ter impactado com mais força os coworkings de menor porte.

“A pandemia nos afetou muito. Estávamos em franca ascensão, montando a terceira e a quarta unidade, mas aí tivemos que cancelar”, explica. “Ficamos só com a unidade [do bairro] Jardins, que é mais nova, e a [do bairro] São Joaquim, que vamos inaugurar em novembro”, conta.

Além de encarar vários meses com as portas fechadas, a Nidos.Work também teve sua receita reduzida pelos protocolos de segurança sanitário pós-reabertura do comércio, já que eles limitam a ocupação dos espaços. O fluxo de grandes clientes não se consolidou. “No início, tivemos sim muita procura. Mas hoje nossa carteira de clientes ainda se mantém de pequenas e médias empresas, autônomos e startups”, diz.

Recessão agora, crescimento depois

Mesmo para os pequenos, porém, a recessão traz promessas a médio prazo. “A própria forma do coworking mudou, porque a demanda mudou,” analisa Taddeo. “Hoje, temos uma procura muito grande de pessoas que querem vir só alguns dias. Então, temos planos que não são mensais, mas diários ou com alguns dias dentro do mês”, revela Fernando.

O relatório “Coworking Spaces Global Marketing Report 2020-2030”, publicado pela The Business Research Company, também prevê uma performance de queda e, depois, recuperação e crescimento. Este ano, a pandemia deve causar uma retração de 12,9% no mercado mundial (de US$ 9,27 bilhões em 2019 para US$ 8,24 bilhões em 2020). Porém, em 2023, já chegará a US$ 11,52 bilhões.

Mendes relembra que o WeWork foi criado durante outra recessão: aquela causada pelo estouro da bolha imobiliária nos EUA em 2008. Na sua análise, uma das consequências da recessão é o aumento do empreendedorismo, o que favorece a busca por espaços coletivos. “Muitas pessoas têm medo de empreender, se sentem isoladas. No ambiente de coworking, elas encontram outros com dificuldades parecidas. Há uma troca de ideias”, acredita.

Na opinião dele, vão prosperar as empresas que oferecerem uma “super experiência” para os clientes. “Acho que a demanda ainda está longe de ser suprimida. Tenho dois projetos em Belo Horizonte, e queria ter muito mais. Tenho três na Avenida Paulista, e queria ter muito mais”.

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