Startups de reforma ampliam público e atuação e veem crescer demanda na pandemia


(Folha de S.Paulo) – 21/10/20

Reformar está mais fácil, rápido e barato —pelo menos é o que prometem as construtechs, startups de construção. A pandemia acelerou a transformação digital no setor e deu maior visibilidade a empresas que propõem reforma sem dor de cabeça.

“As pessoas tiveram que se voltar mais para dentro de casa e começaram a perceber necessidades. Com isso, a demanda por reformas cresceu de uma forma quase exagerada”, diz Mariane Carneiro da Cunha, da Ah!Sim, startup pioneira nesse tipo de negócio.

Criada em 2013, a Ah!Sim já finalizou cerca de 900 pacotes completos de reforma, do planejamento à execução.

“Desenvolvemos desde o projeto, que gera automaticamente um orçamento completo que inclui logística, execução e gestão de forma integrada. O cliente acompanha tudo virtualmente”, diz Mariane. “Não é só uma conexão de pontas, como fazem os marketplaces. A gente assume todo o abacaxi.”

Economia de tempo, controle do orçamento e gerenciamento da obra estão entre as vantagens oferecidas por esse tipo de empresa. Foi isso que levou o analista de sistemas Eduardo Merigui, 47, a contratar a Ah! Sim em 2014.

Ele havia comprado um apartamento na planta, mas, entre a compra e a entrega, foi expatriado para aos EUA por dois anos. “O apartamento foi entregue no contrapiso, então comecei a pesquisar empresas que fizessem a obra de A a Z, já que eu não poderia acompanhar”, diz Eduardo.

“Achei a forma de trabalho da Ah!Sim inovadora, então nem avancei nas conversas com outros escritórios”, diz.

A escolha, segundo ele, foi acertada: o prazo e o orçamento foram seguidos à risca, e o apartamento de 100 m² foi entregue com todos os móveis, utensílios e até enxoval.

Agora, com o trabalho remoto, Eduardo planeja uma reforma para tornar o home office mais eficiente e fechou novamente com a startup.

A busca por adequação de home office e espaços de estudo alavancou também os negócios da Blink Reformei, fundada em 2017 como fornecedora de mão de obra. Em 2019, ampliou sua atuação, e trabalha hoje em um modelo semelhante ao da Ah!Sim.

Durante a quarentena, praticamente dobrou o faturamento. “Este foi o ano com o maior número em vendas: R$ 6 milhões em pacotes de reforma. No ano passado, foram R$ 3,5 milhões”, diz Alexandro Penteado, co-fundador e presidente da Blink Reformei.

A economia de tempo para quem contrata esse tipo de serviço é grande. “Para fechar um orçamento sozinho, você precisa falar com 15 a 20 fornecedores, o que leva uns 20 dias. Na plataforma, conseguimos isso em uma hora”, diz.

O projeto, que levaria cerca de um mês para ser desenhado, cai para cinco dias.

A execução varia de acordo com o método de trabalho da startup e o espaço a ser reformado. Na Ah!Sim e na Blink, que fazem apenas imóveis inteiros, esse prazo é de 90 dias. Os projetos custam a partir de R$ 3.000, e seu público-alvo se concentra nas classes A e B.

Mas há alternativas para quem quer reformar só um cômodo e para famílias de baixa renda. Na 1Cômodo, o prazo médio de execução é de cinco dias, e a reforma é feita com os moradores na casa, ao contrário das outras startups.

“Sempre me incomodou essa história de que toda reforma tem imprevisto. Há uns três anos, comecei a desenvolver um método para reformar em menos tempo, diz Gustavo Pozzato, dono da 1Cômodo. O valor médio cobrado por projeto é de R$ 600, e a execução fica, em média, R$ 50 mil.

Lançada em plena pandemia, a empresa fechou até agora cinco execuções e vendeu mais de 60 projetos. Por ora, atende só a cidade do Rio e a região serrana, além de São Paulo e Belo Horizonte.

Já a Vivenda nasceu em 2014 como uma executora de obras para a população de baixa renda, mas foi preciso mudar o escopo para ganhar escala.

“Ao longo desses seis anos de operação, fizemos mais de 2.500 obras. Mas isso não é suficiente”, diz Fernando Assad, cofundador da Vivenda. “Existe um déficit habitacional enorme, são mais de 40 milhões de moradias de baixa renda precisando de reforma.”

A empresa decidiu, então, estruturar o próprio serviço de financiamento e passar a atuar também como fintech.

O crédito é aprovado na hora, pelo site, mesmo para quem tem restrições no CPF. O valor pode ser parcelado em até 30 vezes, com pagamentos a partir de R$ 160 e juros de 2,2% ao mês. A execução leva em média oito dias e tem garantia de três meses.

“Em 30 meses de operação, provamos que é possível financiar para esse tipo de cliente”, diz Assad.

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