Detalhamento de projeto de estruturas de aço – manutenção e vida útil

26 08 2010

(Revista Téchne) – ago/2010

A norma brasileira NBR 15575 – Desempenho de Edificações Habitacionais de Até Cinco Pavimentos, em vigor desde 12 de maio, estabelece requisitos e critérios de desempenho sob a ótica das necessidades do usuário. Essas exigências, antes subjetivas, tornaram-se requisitos técnicos, com parâmetros determinados. O prazo para adequação de projetos à norma é de seis meses. Assim, a partir de 12 de novembro, todos os projetos protocolados nas prefeituras devem estar de acordo com a Norma de Desempenho. A norma é dividida em seis partes. A primeira delas define as exigências dos usuários, que se transformam em requisitos tais como: segurança (contra incêndio, no uso e na operação), habitabilidade (estanqueidade, conforto térmico, conforto acústico etc.) e sustentabilidade (durabilidade, manutenibilidade e impacto ambiental). Cada requisito tem critérios mínimos definidos, ou, se for o caso, são indicadas as normas a serem consideradas.

A vida útil de projeto e a garantia
A norma define o que é a Vida Útil de Projeto (VUP), conceito que difere de prazo de garantia. A VUP é o tempo dentro do qual o edifício e seus sistemas devem atender aos requisitos de desempenho estabelecidos. Já o Prazo de Garantia é o pe­río­do de tempo no qual a ocorrência de defeitos não pode ser justificada por mau uso ou envelhecimento natural, garantido pelo construtor ou incorporador.

O projeto do edifício deve especificar a VUP para cada um dos sistemas que o compõe (estrutura, cobertura, vedação vertical externa etc.). Os sistemas do edifício devem ser adequadamente detalhados e especificados em projeto, de modo a possibilitar a avaliação da vida útil.

Os prazos mínimos de VUP para cada sistema da edificação são definidos conforme a tabela 1. Desse modo, as estruturas, independentemente de sua constituição, deverão apresentar uma vida útil de projeto de, no mínimo, 40 anos. A avaliação do critério de durabilidade é feita pela verificação do cumprimento das exigências estabelecidas em normas brasileiras que estejam relacionadas com a durabilidade dos sistemas do edifício. Exemplos de tais normas são a NBR 6118 (para as estruturas de concreto) e a NBR 8800 (para as estruturas de aço e estruturas mistas aço-concreto). A verificação pode ser feita, ainda, pela comprovação, por ensaios, da durabilidade dos elementos e componentes dos sistemas, ou, ainda, pela análise de campo, utilizando a inspeção de protótipos.

O atendimento à vida útil de projeto
A NBR 8800 trata do dimensionamento de edifícios habitacionais, comerciais, industriais, públicos e também das estruturas que compõem passarelas de pedestres e suportes de equipamentos. Vai, desse modo, além do escopo da NBR 15.575. O que diz essa norma a respeito da durabilidade? Onde a norma interage com a NBR 15.575 na avaliação da durabilidade? A norma, revisada em 20

08, inclui um anexo normativo – o Anexo N – que trata especificamente da durabilidade de componentes de aço frente à corrosão. Esse anexo é um poderoso auxiliar no atendimento da VUP mínima para as estruturas que pertencem ao escopo da NBR 8800.

Quais os pontos fundamentais no Anexo N?
Quando se considera a proteção frente à corrosão de uma estrutura de aço, uma distinção deve ser feita entre as medidas consideradas ativas e aquelas ditas passivas. As medidas passivas objetivam isolar a superfície metálica do ambiente agressivo – caso da pintura ou da galvanização. As medidas conhecidas como ativas, por outro lado, objetivam a prevenção da corrosão – ou sua minimização – pela interferência no processo de corrosão. Como exemplos, temos o controle da umidade relativa do ambiente, o uso de aços resistentes à corrosão atmosférica ou o emprego de boas práticas de detalhamento do projeto.

Escolha do sistema de proteção adequado
Uma estrutura localizada no cerrado brasileiro (por exemplo, Brasília) não necessita do mesmo sistema de proteção frente à corrosão empregado em um ambiente marinho ou industrial. Desse modo, a primeira etapa para uma correta especificação da proteção é a da qualificação da agressividade do ambiente. Esse enquadramento permite a obtenção do prazo determinado pela VUP a um custo mínimo. Mas como qualificar a agressividade de um ambiente?
A norma ISO 12944-2 pode ser utilizada para essa qualificação. Ela divide os ambientes atmosféricos em seis categorias de agressividade:

C1: Muito baixa agressividade
C2: Baixa agressividade
C3: Média agressividade
C4: Alta agressividade
C5-I: Muito alta agressividade, industrial
C5-M: Muito alta agressividade, marinho

A tabela 2 reproduz parte daquela existente na norma. Ela inclui exemplos típicos de enquadramento. Havendo dúvida na qualificação de um ambiente, a categoria de agressividade deve ser escolhida.

Métodos corriqueiros usados na proteção
A pintura e a galvanização dos componentes estruturais são meios comuns de proteção das estruturas. Mas como especificá-las corretamente? Existem várias fontes de consulta para uma correta especificação de um sistema de pintura. Uma das mais conceituadas é a norma ISO 12955-5. O manual intitulado “Projeto e Durabilidade”, do CBCA (Centro Brasileiro da Construção em Aço), disponível gratuitamente para download no website do CBCA, traz alguns dos sistemas propostos por essa norma.Como especificar corretamente um sistema de pintura para uma estrutura (externa) localizada, por exemplo, na cidade de São Paulo? A tabela 2 permite enquadrar São Paulo na categoria de agressividade “C3″. Quais os sistemas que podemos escolher para a proteção da estrutura? A observação da norma – ou do manual – mostra várias possibilidades, desde sistemas de “baixa durabilidade”, que exigem manutenção a cada dois – cinco anos (por exemplo, um sistema alquídico com espessura seca de 120 micrômetros) até sistemas que necessitam de manutenção em prazos superiores a 15 anos (por exemplo, um sistema epoxídico com espessura seca de 200 micrômetros). É importante ressaltar que nenhum desses sistemas conseguirá vencer a VUP da estrutura sem intervenções para manutenção. Haverá, provavelmente, três grandes intervenções para repintura ao longo de, por exemplo, 40 anos.

Um sistema de pintura mais robusto – como o epoxídico citado acima – permite um menor número de intervenções ao longo dos anos. De modo geral, um sistema mais caro, aplicado ainda na confecção/montagem da estrutura, costuma ser muito mais econômico ao longo dos anos que um sistema de baixa durabilidade. Como especificar, por outro lado, a galvanização dos componentes? O período de proteção dado pela camada de zinco depende, fundamentalmente, para uma dada agressividade ambiental, da espessura da camada depositada. A norma ISO 12944-2 traz a perda de massa ou de espessura por unidade de área superficial para o zinco (e também para o aço) durante o primeiro ano de exposição, para ambientes de diferentes níveis de agressividade (C1, C2 etc.). A figura 1 traz esses dados em forma gráfica. Um ambiente C3 – como a cidade de São Paulo – é caracterizado, pela norma, por uma perda de zinco situa­da entre 0,7 e 2,1 micrômetros por ano, durante o primeiro ano. Assim, os 40 anos exigidos da VUP podem ser atingidos ou suplantados com uma espessura mínima de camada de zinco de 85 micrômetros (ou 610 g/m2) – um valor mínimo, a ser aplicado segundo a norma ISO 1461. A durabilidade do revestimento de zinco ficará situada entre (85/2,1) = 40,5 anos e (85/0,7) = 121 anos, isto é, nenhuma manutenção será necessária ao longo da VUP de 40 anos.

É importante ressaltar que cada caso é um caso. Existem situações em que a pintura é a forma mais econômica de proteção e situações em que a galvanização deve ser o caminho escolhido. Não tenha ideias pré-concebidas a respeito de um ou outro sistema. Não se deve esquecer que o zinco pode ser pintado, com vantagens. A soma dos tempos de proteção oferecidos pela galvanização e pela pintura é sempre maior do que as somas individuais – há sinergismo. Vamos, agora, abordar uma das mais importantes formas de se controlar o processo de corrosão. Trata-se da aplicação das boas práticas no detalhamento do projeto. É considerada uma medida ativa de controle da corrosão. O manual do CBCA e a norma ISO 12944-3 tratam desse tema com profundidade.

Figura 3 - Situação em que o acesso para inspeção e reparos é muito dificultado. Não existe espaço para o trabalho com o ferramental de manutenção. Trata-se da cobertura de uma piscina aquecida

Acessibilidade
Os componentes de aço devem ser projetados para a acessibilidade, com a finalidade da aplicação, inspeção e manutenção do sistema de proteção especificado. Espaços estreitos entre elementos devem ser evitados tanto quanto possível. Onde não seja possível evitar espaços restritos, por razões estruturais ou práticas, as recomendações descritas na figura 2 devem ser avaliadas. Algumas regras devem ser, sempre que possível, obedecidas, quando pensamos em acessibilidade:

- Todas as precauções de controle da corrosão incluídas no projeto devem ser inspecionáveis, repetitíveis e reparáveis com facilidade, para uma dada localização e ambiente. A figura 3 ilustra uma situação em que o acesso para inspeção e reparo é inexistente.
- A manutenção da pintura deve ser feita no menor tempo possível de execução, para a minimização de interferências, ou, então, deve ser tão espaçada (no tempo) quanto possível. Esta última opção é especialmente útil para estruturas, equipamentos e componentes localizados em pontos de difícil acesso.
- O projeto deve contemplar a redução do custo e do grau de dificuldade da manutenção subsequente a um mínimo, incluindo o desmonte e remonte eventual de componentes estruturais e equipamentos, limpeza, preparo de superfície etc.

Figura 4 - Menos, em geral, é mais. Simplifique as formas

Complexidade

A complexidade excessiva deve ser evitada. Dê preferência à simplicidade e praticidade. A figura 4 mostra como a complexidade pode dificultar – ou até impedir – a manutenção da estrutura. A retenção de água e sujeira deve ser evitada tanto quanto possível. As figuras 5 e 6 ilustram alguns exemplos de arranjos geométricos considerados bons e ruins.

Frestas
Frestas estreitas e juntas sobrepostas são pontos potenciais para o início da corrosão, devido à retenção de umidade e sujeira – incluindo a existência de qualquer abrasivo utilizado no preparo superficial. O problema potencial deve ser evitado selando-se a fresta. Pode-se utilizar um selante epoxídico, poliuretânico, ou mesmo um silicone que não libere ácido acético durante a polimerização. A figura 7 ilustra a promoção proposital, desnecessária, de frestas.

Figura 5 - Geometrias que facilitem o acúmulo de água devem ser evitadas: (a) uma simples pingadeira pode minimizar ou evitar o ingresso de água na alvenaria; (b) a disposição dos componentes pode promover ou não o acúmulo de água

Soldagem
O procedimento de soldagem é de grande importância no controle da corrosão. Evite cordões de solda intermitentes ou descontínuos. Eles podem reter pó, água etc. A água retida não será rapidamente eliminada, propiciando o ataque. A solda deve ser feita com qualidade e permitir a acessibilidade (figura 8). Os cordões de solda não devem possuir imperfeições (asperezas, espirros, furos etc.) que dificultem o recobrimento do sistema de pintura escolhido. Soldas feitas em campo muitas vezes são irregulares e tornam o recobrimento da tinta desuniforme. Haverá pouca tinta nos picos e muita tinta nos vales. O sistema de pintura, desse modo, não atingirá a durabilidade estimada pelo projetista. Outro problema trata da existência de escória, liberada pelo eletrodo, e não convenientemente retirada. As escórias são higroscópicas. Pelo fenômeno da osmose, o vapor de água migrará tinta adentro, até a interface metal/escória. O processo de corrosão, então, se instalará, e, mais uma vez, o sistema de pintura não atingirá a durabilidade estimada. A figura 9 ilustra o conceito.

Figura 6 - Geometrias que facilitem o acúmulo de água devem ser evitadas: (a) e (b) o detalhe do enrijecedor pode ou não promover o acúmulo de sujeira e água; (c) deve-se evitar utilizar cantoneiras costa a costa - como pintar o interior de cantoneiras com esta disposição?

Figura 7 - Frestas devem ser evitadas sempre que possível

Superfície
Contornos arredondados são preferíveis aos cantos vivos, pois permitem a uniformidade do sistema de proteção, caso a proteção seja dada pela pintura. Por conta da tensão superficial da tinta, as arestas receberão uma camada de tinta menos espessa do que aquela depositada sobre as superfícies planas. O revestimento aplicado sobre os cantos vivos apresentam, além disso, menor resistência aos danos mecânicos. Assim, recomenda-se que os cantos vivos sejam arredondados ou chanfrados (figura 10).

Figura 11 - Coloque os enrijecedores e assemelhados voltados às condições mais favoráveis (a), e não às menos favoráveis (b)

Onde e quando for possível, altere a localização dos enrijecedores e componentes semelhantes, do lado exposto às condições mais agressivas, para condições de exposição mais favoráveis (figura 11).

Componentes estruturais que serão decapados (por exemplo, aqueles destinados à galvanização) deverão possuir geometria (e também técnicas de fabricação) que promovam a continuidade da superfície, sem a criação de frestas, bolsões etc. Essa prática impedirá que o ácido utilizado na decapagem penetre e fique retido nas frestas, ocasionando um defeito que é costumeiramente conhecido como “choro” ácido. Caixas e tubos a serem galvanizados deverão possuir aberturas adequadas, permitindo a entrada e saída dos líquidos utilizados no processo (como, por exemplo, o ácido utilizado na decapagem).

LEIA MAIS
NBR 15575 – Edifícios Habitacionais de Até Cinco Pavimentos – Desempenho, Partes 1 a 6. Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro, 2008.
NBR 6118 – Projetos de Estruturas de Concreto – Procedimento.Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro, 2007.
NBR 8800 – Projeto de Estruturas de Aço e de Estruturas Mistas de Aço e Concreto de Edifícios. Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro, 2008.
ISO 12944-2 – Paints and varnishes – Corrosion protection of steel structures by protective paint systems: Part 2 – Classification of environments. International Organization for Standardization, Genève, 1998.
ISO 12944-5 – Paints and varnishes – Corrosion protection of steel structures by protective paint systems: Part 5 – Protective paint systems. International Organization for Standardization, Genève, 1998.
Projeto e Durabilidade. F. D. Pannoni. Instituto Aço Brasil/Centro Brasileiro da Construção em Aço. Rio de Janeiro, 2009. Disponível para download gratuito em
www.cbca-iabr.org.br.
ISO 1461 – Hot dip galvanized coatings on fabricated iron and steel articles – Specifications and test methods. International Organization for Standardization, Genéve, 2009.
ISO 12944-3 – “Paints and varnishes – Corrosion protection of steel structures by protective paint systems: Part 3 – Design considerations. International Organization for Standardization, Genève, 1998.





De cara nova

23 08 2010

(Gazeta do Povo) -08/08/10

Para seguir a linha da sustentabilidade, fabricantes de torneiras lançam neste ano produtos que proporcionam economia de água, além de apostarem no design e em preços mais acessíveis

Torneira de mesa Touch, da Deca: sensor garante fluxo de até oito segundos

Em tempos de economia de água, fabricantes de torneiras investem em opções que ajudam o consumidor a gas­­­tar menos e a controlar o uso do recurso natural. Um exemplo disso é a Linha Oásis de torneiras e misturadores (com água quente e fria) de metal para banheiros residenciais da família Residen­­­cialMatic, lançada em junho pela Docol. A linha, que tem como preços sugeridos R$ 245 para torneiras e sob consulta para misturadores, apresenta o sistema chamado DocolFlex, que consiste em duas formas de acionamento na mesma alavanca: tradicional, com um giro de 1/6 de volta do botão, ou automático, apertando esse mesmo botão. No último caso, o fluxo da água é controlado e dura de 4 a 10 se­­­gundos.

De acordo com Carlos Alechan­­­dre Fernandes, gerente de marketing da empresa, o sistema é o grande diferencial da Oásis, pela praticidade das duas opções. “O acionamento automático significa economia de água e segurança para casas com crianças. Os pais podem ensiná-las a usar apenas dessa maneira, e não terão problemas com torneiras abertas. Já o tradicional permite que o usuário encha a pia, por exemplo, quando for fazer a barba”, explica.

Outro reforço no conceito de sustentabilidade dos equipamentos é a presença de arejador na bica, que mistura ar à água, o que provoca a formação de pequenas bolhas ao lavar as mãos. Segundo Fernandes, essa é outra maneira de se economizar água. “O arejador proporciona um jato mais uniforme e confortável sem muita vazão de água.”

Tecnologia de pintura automotiva na torneira Stillo Colors, da Docol

A torneira Stillo Colors, da Docol, que será lançada em outubro, tem o equipamento e poderá ser instalada em mesas ou na parede. Ainda sem preço sugerido, chegará ao mercado nas cores preta e branca, além da já conhecida cromada, confeccionadas com a mesma tecnologia da pintura automotiva. “Para não descascar e o branco não amarelar”, diz Fernandes.

Seguindo a mesma tendência da sustentabilidade, a Deca criou as torneiras de mesa e de parede Touch (R$ 800 e R$ 900, respectivamente), com acionamento eletrônico, previstas para chegar ao mercado em setembro deste ano. Em uma chapa de metal ficam dispostas a bica, com linhas retas, e o sensor ao lado, onde é preciso encostar a mão para dar vazão à água. Para o gerente de marketing da fabricante, Marcus Menezes, esse sistema permite um controle maior da quantidade de água usada. “É possível usar toda a capacidade do sensor, que garante vazão de oito segundos, mas há a opção de desligar a torneira antes disso, interrompendo o curso”, afirma.

Design
Neste ano as fabricantes também inovaram no visual das torneiras e misturadores, com opções de design tradicional e moderno, que podem ajudar a compor ambientes de acordo com os objetivos do comprador – uma casa mais clássica ou mais moderna.

Um botão para água quente e fria e bica com vários canos são algumas características do misturador LorenLoop, da Lorenzetti

Uma opção mais moderna é o misturador LorenLoop, da Lorenzetti, com previsão para chegar ao mercado até o fim do ano e preço sugerido sob consulta. O produto é cromado, com bica assimétrica e móvel, formada por vários canos que desembocam em um único orifício. O sistema Monomix, que permite o controle da temperatura com apenas um botão de acionamento, é apontado pela empresa como um diferencial.

O design também foi usado para aproximar certas tecnologias do público brasileiro. A Roca, fa­­­bricante de origem espanhola, investiu no desenvolvimento de projetos que se adaptassem com mais facilidade ao mercado brasileiro e suas especificações. “Tí­­­­­nhamos apenas metais importados, o que gerava algumas limitações: por exemplo, na Espanha só há metal monocomando, em que água quente e fria são disponíveis em uma única alavanca”, explica o gerente de marketing e produto da Roca, André Zech­­­meister. “A pressão de água usada lá também é diferente, muito maior do que a usada aqui. Por esses motivos, nossa linha de metais ficava pequena”, completa.

Mercados diferentes
Para atender os costumes do mercado brasileiro, a Roca lançou nove linhas de metais, entre elas a Fusion, a Vega e a Vega Elite, que entraram no mercado no início deste semestre. A primeira é composta de torneiras de mesa e de parede, com preço sugerido de R$ 1.160, e de misturadores, de R$ 1.990, ambos com o corpo feito em latão fundido, bica fixa e arejador. A base de metal que sustenta a bica e as alavancas de acionamento, com mecanismo de ¼ de volta, é uma das principais características do produto, segundo Zechmeister. “O desenho ficou bem moderno, contemporâneo”, avalia.

No caso do misturador da Fu­­­sion, duas alavancas foram instaladas, uma para água quente e outra para a fria, aproximando mais o produto do costume brasileiro. Mas algumas características europeias foram mantidas. “O ciclo de vida das alavancas da linha é de mais de 200 mil acionamentos, que segue a norma europeia. No Brasil, esse ciclo deve ser de 30 mil acionamentos”, explica o gerente de marketing e produto. “Mantivemos as normas mais rígidas e adaptamos para o gosto brasileiro”, afirma.

Já com as Linhas Vega e Vega Elite, de torneiras (R$ 450) e misturadores (R$ 1.170) de mesa e de parede, lançados agora no segundo semestre, a Roca produziu uma opção mais tradicional e outra mais moderna da mesma bica. No caso da Vega, o acionamento é feito pelas chamadas cruzetas (em forma de cruz), com mecanismo de ½ volta. Já a Vega Elite é acionada por alavancas e funciona com ¼ de volta.

O misturador monocomando da Linha Priori, da Docol, é outra opção de design diferente para metais de banheiro. Com previsão para começar a circular em outubro deste ano, o produto ainda não tem um preço sugerido pela fabricante e foge um pouco ao costume brasileiro: tem apenas uma alavanca para controle de temperatura, que segue o corpo e o formato da bica. Para o gerente de marketing da empresa, esse é o diferencial. “Aliado ao design, o monocomando confere praticidade ao produto”, afirma Carlos Alechan­­dre Fernandes.

Empresas lançam modelos de olho na classe C
Para levar a ideia do uso racional da água à classe C, a Lorenzetti lançou em abril a marca Fortti, com linhas como Bric, Brio e Pratti, com torneiras brancas de R$ 23, R$ 16 e R$ 21 e cromadas (preço sob consulta), todas feitas com plástico de engenharia. O material, segundo a empresa, foi usado por oferecer resistência a impactos e ao uso de água quente, além de receber tratamentos para não amarelar em contato com a luz, no caso da branca.

Com o objetivo de deixar o produto com design mais acessível, a Deca criou a Linha Polo, de torneira e misturador (com água quente e fria), com previsão para chegar ao mercado em setembro deste ano e preços sugeridos de R$ R$ 390 e sob consulta, respectivamente. “Percebemos o desejo do consumidor de ter uma linha na faixa de menos de R$ 600, que tivesse alguns atributos presentes apenas em produtos mais caros”, explica o gerente de marketing da fabricante, Marcus Menezes. “Essas características foram reunidas na Polo, como uma bica mais reta e uma chapa de metal que a une aos acionamentos”, completa.

A torneira Link Quadratta é outra criação de Deca para atender a demanda por produtos com linhas mais retas e preços acessíveis. “Há uma apreciação dos consumidores por produtos com formas mais quadradas, mais secas”, avalia Menezes. Com uma bica em “L” invertido, ela é uma reformulação da torneira Link da empresa que, segundo o gerente de marketing, seguia a tendência de produtos minimalistas, sem muitos elementos. “Adicio­­namos a essa tendência uma outra: de produtos retos, e valorizamos o design”, completa. Prevista para chegar ao mercado em setembro, será vendida por cerca de R$ 270.





Consumidores de imóveis de alto padrão decidem compra pela internet

6 08 2010

(Infomoney) – 30/07/10

Na hora de procurar um imóvel para comprar ou investir, a maioria dos consumidores de alto padrão decide a compra por meio da internet.

De acordo com estudo realizado pela Imóvel A – Consultores Associados, imobiliária especializada em imóveis de alto padrão, a internet é utilizada como canal inicial para os negócios por 60% dos consumidores.

Além disso, indica a imobiliária, de cada cinco negócios fechados, três são iniciados por meio da rede mundial de computadores. “Temos constatado que é pela internet que conquistamos a venda. O acerto final do negócio é feito pessoalmente, mas a decisão da compra se dá via web”, explicou o sócio-diretor da imobiliária, Alexandre Villas.

Cuidados
O diretor segundo tesoureiro do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), Gilberto Yogui, concorda e ressalta que a internet tem se tornado cada vez mais um importante facilitador de vendas.

Contudo, diz ele, as pessoas devem observar alguns pontos ao buscarem imóveis por meio da rede. O primeiro deles, explica Yogui, é verificar a seriedade do portal, utilizando somente aqueles que possuem registro no Creci.

O diretor também sugere que as pessoas desconfiem de anúncios que não possuem fotos, pois pode ser um indício de problemas. “Quem quer vender deve disponibilizar o máximo de informações, então, quando não há fotos , é possível que o imóvel tenha algum problema de conservação, por exemplo”.

Assim, além das fotos, é importante que o consumidor preste atenção se o anúncio traz as seguintes informações: preço, valor do condomínio, do IPTU e se aceita financiamento, lembrando que nenhum negócio deve ser concretizado sem ter sido feita uma visita ao local e uma vistoria em pisos, parte hidráulica, elétrica, entre outros itens.





Para ministro, aumento do crédito imobiliário não afeta economia negativamente

6 08 2010

(Infomoney) – 22/07/10

O aumento dos financiamentos imobiliários não afetará de forma negativa a economia do País. Para o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o crédito imobiliário não deve se transformar em uma “bolha”, como ocorreu nos Estados Unidos.

Segundo afirmou o ministro, o crédito imobiliário representa apenas 3% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiros. Já nos Estados Unidos, esse percentual alcança os 70%. “Temos um espaço para crescer 12% ou 15% sem qualquer problema”, afirmou Bernardo, de acordo com a Agência Brasil. “Não há nenhum risco”.

Boom do crédito
O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida foi um dos facilitadores que permitiram o aumento dos contratos de crédito imobiliário. Somente a Caixa Econômica Federal disponibilizou R$ 16,48 bilhões para financiamentos de imóveis do programa.

Ao todo, no primeiro semestre deste ano, o banco emprestou R$ 34,10 bilhões em crédito. O valor representa um aumento de 95% frente ao mesmo período do ano passado.

Para o vice-presidente da Caixa, Jorge Hereda, o aumento dos empréstimos imobiliários ainda pode ser maior. “No Brasil, o volume de crédito imobiliário é inexpressivo, se comparado ao PIB e, portanto, acredita-se que o atual ciclo virtuoso se sustentará ao longo dos próximos anos”, disse.

O banco espera que, até o final deste ano, cerca de R$ 60 bilhões devem ser disponibilizados para financiamentos imobiliários. Até o final de 2015, a Caixa espera que o crédito imobiliário alcance os 10% do PIB.





Imóveis compactos ganham espaço entre lançamentos imobiliários

6 08 2010

(Folha Online) – 02/08/10

Somente nos primeiros sete meses do ano (até 23 de julho), as construtoras já colocaram no mercado 6.033 unidades “compactas” -mais que o total em 2005 (5.801)

Os imóveis de até 55 metros quadrados, chamados de “compactos”, vêm ganhando espaço entre os lançamentos em São Paulo. Impulsionados pelo crescimento do crédito e da massa salarial, tiveram a participação ampliada de 24%, em 2005, para 39% em 2010, segundo levantamento realizado pela empresa de pesquisas imobiliárias Geoimovel.

Somente nos primeiros sete meses do ano (até 23 de julho), as construtoras já colocaram no mercado 6.033 unidades “compactas” -mais que o total em 2005 (5.801). Em geral, foram lançadas 15.658 unidades em 2010.

Para Celso Amaral, diretor da Geoimovel, dois fatores foram fundamentais para alavancar essas vendas. O primeiro foi o crescimento do poder aquisitivo da população -de 27%, entre janeiro de 2005 e maio de 2010 na Grande São Paulo, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O outro é a maior facilidade de financiamento nos últimos anos, com juros mais baixos, prazo de pagamento maior e prestações menores. “Há uma demanda forte por esses apartamentos. As construtoras perceberam esse movimento”, diz Amaral.

Primeiro “Apê”
Para o presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), João Crestana, os jovens também têm impulsionado o mercado de “compactos”. “São casais ou solteiros com idades de 20 a 35 anos, que já trabalham, mas não têm condições de comprar imóveis de 100 metros quadrados.”

Para atender a essa demanda, a Gafisa criou em 2006 a marca Living, cujo foco são imóveis menores (70% têm até 55 metros quadrados). No primeiro ano de existência, lançou 720 imóveis. No ano passado, o número saltou para 16.062. Para este ano, a expectativa é chegar aos 25 mil.

Segundo Romeu Braga, diretor de incorporação da empresa, o programa habitacional do governo Minha Casa, Minha Vida, lançado em março do ano passado, também contribuiu para uma oferta maior desses imóveis. “O MCMV trouxe novos clientes para esse mercado, que são pessoas da classe C que estavam desassistidas”, ressalta. Entre os benefícios do programa, estão juros reduzidos e subsídios federais.

A assistente comercial Cristiane Dias, 28, comprou o primeiro imóvel recentemente, após diversas tentativas. “Não conseguíamos comprovar renda suficiente, mas deu certo pelo MCMV”, diz ela, que irá mudar com o marido e a filha de um ano para um imóvel de 52m² em 2012.





Aumenta procura por locação de pequenos imóveis

6 08 2010

(Parana Online) – 22/07/10

As kitinetes e os apartamentos de um quarto de Curitiba tiveram uma explosão nas locações em junho, de acordo com os últimos dados divulgados pelo Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR). A instituição atribui a mudança à proximidade do período de férias, quando a capital paranaense costuma receber uma grande quantidade de novos moradores, que chegam para estudar ou trabalhar. Como a oferta continua insuficiente, a grande procura resultou em aumento de preços: o metro quadrado das kitinetes ficou 6,82% mais caro, em relação a maio. A variação foi a maior na lista de imóveis residenciais.

De acordo com o Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), órgão que faz os levantamentos, o índice de locação sobre oferta desse tipo de imóvel aumentou significativamente entre junho de 2009 e o mesmo mês deste ano: de 13,9%, a taxa passou para 19,4%. O aumento mostra que o fenômeno não é apenas sazonal.

Segundo o diretor da área de Locação do Secovi-PR, Roberto Gonzaga, a mudança nos índices de junho tem relação direta com o número cada vez maior de faculdades em Curitiba. “Os vestibulares de inverno atraem muitos estudantes de fora”, conclui. Ele lembra que esse público sempre chega às imobiliárias procurando kitinetes e apartamentos de um quarto.

Como resultado, unidades desses tipos estão começando a ficar escassas, puxando os preços para cima. “O mercado está muito apertado”, diz Gonzaga. Ele mostra que, em 12 meses, a variação dos preços superou em 6,7% o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que é o mais utilizado em contratos de locação. Em junho, o valor de locação das kitinetes ficou em R$ 14,25/m², superando em quase 4% a média do ano, de R$ 13,71/m².

Se a oferta já vem sendo escassa, os números de lançamentos deste ano demonstram que o panorama pode até piorar, no futuro. Os dados mostram que foram lançadas 2.095 unidades em empreendimentos verticais de janeiro a maio, em Curitiba. Desse total, apenas 259 eram apartamentos de um quarto. Não houve lançamento de nenhuma kitinete. A maioria (86%) dos apartamentos eram de dois ou três quartos. “Já vale mais a pena, às vezes, alugar um apartamento de dois quartos do que uma kitinete ou apartamento de um quarto”, sugere Gonzaga.

Legislação
Gonzaga observa que outro fator está facilitando, este ano, as locações: as recentes mudanças na legislação que rege o assunto tornaram mais simples as aprovações de cadastros – que normalmente eram mais restritivas quando o locador, ou o seu fiador, não tinham imóveis na mesma cidade para oferecer como garantia. “As restrições estão acabando em função das novas regras. Mesmo que o cadastro não seja exatamente como a imobiliária gostaria, a lei possibilita ao locador entrar em juízo com 30 dias de inadimplência. A liminar [para o despejo] já sai em outros 30 dias”, explica.








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