Funcef quer participar de Belo Monte, mas esbarra em garantias


BNDES exige que financiadores apresentem cauções. Entidade consultou SPC para oferecer títulos públicos

O interesse que a Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal) tem em participar do projeto de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, esbarra em um problema: garantias. Guilherme Lacerda, diretor-presidente da entidade, explicou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) exige garantias dos financiadores do projeto.

“Nós, como fundo de pensão, não temos as garantias requeridas pelo BNDES. Então, consultamos a SPC (Secretaria de Previdência Complementar) sobre a possibilidade de ofereceremos títulos públicos como garantia e estamos aguardando a decisão”, disse Lacerda.

O executivo confirmou ontem, durante a divulgação do balanço referente a 2009, o interesse da entidade em disputar a licitação da usina hidrelétrica junto com Odebrecht e Camargo Corrêa, para contribuir com 5% do total de investimentos previstos para o projeto. A Funcef negocia ainda comprar metade da participação acionária da Camargo Corrêa na usina hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira.

Os investimentos da fundação têm se mostrado certeiros. Em 2009, o terceiro maior fundo de pensão do pais recuperou as perdas registradas no ano anterior (déficit de R$ 2,4 bilhões) e ultrapassou em mais de 10 pontos percentuais (p.p.) a meta atuarial estabelecida para 2009, que foi de 9,8% (INPC +5,5%). “Conseguimos atingir mais do dobro do que precisávamos para chegar ao equilíbrio”, ressaltou Lacerda.

Rentabilidade das carteiras
Um dos segmentos que merece destaque é o imobiliário. A rentabilidade foi de 24,1 % em 2009. “Desde 2004, mantemos investimentos no setor”, ressaltou o diretor-presidente da Funcef. Os recursos alocados no segmento representam quase 8% do total da carteira da entidade, o maior percentual entre os fundos de pensão brasileiro.

O retorno obtido com a carteira de renda variável também contribuiu para o desempenho positivo do exercício: 36,6%. Já a carteira de renda fixa com posta de títulos públicos e privados – rendeu 11,4%. “Alonga mos o prazo do vencimento dos ativos promovendo mais aderência ao passivo da fundação” , ressaltou Lacerda.

Ao final de 2009, os recursos do fundo estão aplicados em: renda fixa (52,5%), renda variável (35,7%), investimentos imobiliários (7,8%), empréstimos aos próprios participantes (3,8%) e outros (0,1%).

As estratégias de investimento da Funcef resultaram em um superavit de R$ 2,2 bilhões.

O resultado positivo de 2009 permitiu que o fundo de pensão continuasse adotando a política de recuperação de benefícios de seus aposentados, permitindo a correção em 1,08% além da reposição inflacionária. Com isto, os reajustes reais (acima da inflação) nos últimos quatro anos atingem 27,04%. “Cerca de 50% do superavít é destinado para correção de benefícios e o restante para mudanças promovidas nas tábuas atuariais, metas atuariais.”

Expectativas para 2010
Para este ano, a Funcef deve manter a estratégia de investimento adotada no ano passado. “Os investimentos continuarão sendo direcionados a setores com fluxo de caixa menos sujeitos a risco”, ressaltou.

De acordo com Lacerda, a carteira de crédito privado também deve crescer via CCSs, debêntures e FIDCs. “Estamos analisando as boas oportunidades que são enviadas a nós”, completou o diretor – presidente da Funcef.

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