Consolidação ainda tem fôlego


Onda de fusões e aquisições deve continuar forte, com atenção especial das grandes incorporadoras às empresas de médio porte do Nordeste.

Até maio, as fusões e aquisições no mercado imobiliário eram tema adormecido. Nenhuma operação de vulto havia sido realizada no ano. Foi então que, no dia 4 daquele mês, a PDG Realty anunciou a aquisição da Agre, com base em troca de ações. Com o negócio, a empresa chegou a um valor de mercado de aproximadamente R$ 9 bilhões, praticamente empatando em tamanho com a líder Cyrela.

A operação bilionária reavivou as discussões sobre a intensidade e os rumos do processo de consolidação das empresas do mercado imobiliário brasileiro, movimento iniciado há aproximadamente três anos. De acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), em 2007 foram 11 fusões envolvendo empresas de capital aberto do setor de construção, com o valor de R$ 2,8 bilhões.

No ano seguinte, o movimento continuou com sete fusões, com o valor de R$ 2,3 bilhões. Em 2009, em plena crise do mercado financeiro, mas ao mesmo tempo com boas perspectivas de crescimento do setor, foi batido o recorde em valor, com R$ 4,5 bilhões, em seis operações. No ano passado, o setor representou 8,22% do total de fusões e aquisições que ocorreram no Brasil, patamar que se manteve relativamente estável nos três anos pesquisados pela Anbima.

Em 2010, de acordo com o estudo, ocorreu apenas um negócio no setor, a transação PDG-Agre. Já a consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) fez um levantamento no qual trabalha com um conceito ampliado, que leva em conta a aquisição de participações controladoras, compras de participações não-controladoras, fusões, incorporações e cisões, e não apenas para as empresas de capital aberto. De acordo com o estudo, desde o início do ano ocorreram dez transações no setor de construção civil, somando-se todas as modalidades mencionadas. Os dados são referentes ao primeiro quadrimestre.

Existem vários motivos para as aquisições. No caso da PDG, a empresa espera, com a compra da Agre, diversificar sua atuação, antes concentrada no segmento popular, passando a atuar com mais força na construção para a classe média. Outro propósito foi a expansão de sua base geográfica. “Quem compra pega uma linha de negócios que não tinha, pode ganhar com escala, banco de terrenos ou expertise.

Além disso, algumas empresas são pressionadas para não manter o capital parado – tem que rodar”, afirma Roy Martelanc, professor de finanças da FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo) e coordenador do curso de pós-graduação em negócios do mercado imobiliário da FIA (Fundação Instituto de Administração). Martelanc adverte, no entanto, para o que chama de “maldição do vencedor”, que é quando a empresa compradora se empolga e não avalia de maneira adequada os riscos ou os benefícios da aquisição para os negócios.

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