Elevadores seguem alta de imóveis e do varejo


(Valor Econômico) – 06/07/10

Múltis dominam mercado de R$ 2,5 bilhões ao ano

O crescimento do mercado imobiliário, aliada ao bom momento do varejo – com a expansão e construção de novos shoppings e supermercados – além dos investimentos em infraestrutura, como metrôs e aeroportos, garantiram demanda para os fabricantes de elevadores e escadas rolantes. Dominado por três multinacionais, Atlas Schindler, ThyssenKrupp e Otis, o mercado movimenta cerca de R$ 2,5 bilhões ao ano. Sempre focadas no segmento de manutenção, a boa fase já começa a abrir espaço para empresas nacionais de médio porte disputarem a fabricação de produtos com as gigantes mundiais.

Considerada a invenção que permitiu a viabilidade das grandes metrópoles, o elevador vive uma fase de renovação e pesados investimentos em tecnologia – ao mesmo tempo em que a redução de custos e o fornecimento em massa de componentes chineses permitiu a fabricação de modelos mais simples e baratos. Parece um contra-senso, mas não é. A nova geração de elevadores -que podem ser inteligentes, de altíssima velocidade ou ecoeficientes – dividem o mercado com produtos menores para residências (casa de alto padrão, agora, precisa de um) e com os mais baratos, usados nos prédios econômicos – segmento imobiliário que se expande em maior velocidade no país.

Com demandas tão distintas, cada empresa cava seu espaço. A ThyssenKrupp investe pesado em tecnologia e trouxe ao Brasil um elevador capaz de gerar energia com a própria movimentação. Fornece para prédios corporativos de alto padrão. Concorrente direta, a Atlas Schindler também está nesse segmento, mas aposta no segmento residencial, onde atua com produtos para média e alta renda e econômicos – com até oito paradas. “As vendas para o mercado econômico e de médio padrão são as que mais crescem”, afirma Francisco Bosco, diretor de marketing da Atlas Schindler.

A Atlas já foi a maior empresa nacional e esteve, inclusive, à frente das múltis. Foi comprada pela sueca Schindler em 1999. No ano passado, a empresa teve receita de R$ 1 bilhão. “Achávamos que o mercado iria recuar, porque 2008 foi muto forte”, diz Bosco. “Ainda assim, tivemos ganho de 3% e para este ano, esperamos entre 8% e 9%”, afirma. A empresa já vendeu 160 mil elevadores no Brasil. Dados do Sindicesp indicam que o Brasil tem cerca de 300 mil elevadores. Só na cidade de São Paulo, se transporta oito vezes mais pessoas em elevadores do que nos ônibus – propagam os fabricantes.

A divisão de elevadores da ThyssenKrupp teve receita de R$ 661 milhões no ano passado, alta de 15% sobre os R$ 575 milhões do ano anterior. Sem abrir números, o diretor comercial Paulo Henrique Estefan diz apenas que pretende crescer dois dígitos este ano. O grupo Thyssen tem vários negócios importantes no Brasil. Recentemente, o grupo inaugurou com a Vale a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro. Com capacidade de produção de 5 milhões de toneladas anuais de placas de aço, a siderúrgica recebeu US$ 8,2 bilhões, o maior investimento privado feito no Brasil nos últimos 15 anos.

Com uma fábrica em Guaíba (RS), o Brasil é um dos seis centros de desenvolvimento tecnológico do mundo. A Thyssen trouxe para o Brasil um elevador ecoeficiente, capaz de gerar energia. Na prática, o sistema permite a utilização de parte da energia devolvida pelo elevador durante seu funcionamento (quando sobe com a cabina abaixo da metade da sua capacidade ou quando desce com a capacidade acima de 50%) para a rede elétrica interna da edificação. Cerca de 30% da energia elétrica consumida pelo elevador é devolvida para a rede elétrica. Há dois edifícios comerciais de alto padrão com esse sistema, um em São Paulo e outro no Rio.

Sem a mesma tecnologia, as empresas nacionais procuram ganhar espaço no segmento de manutenção de elevadores (a lei exige equipes de plantão 24 horas por dia o ano todo). Para competir no disputado mercado de fabricação, buscam nichos.

A Villarta, que fatura R$ 50 milhões por ano e fabrica cerca de vinte elevadores por mês, elegeu o segmento de cargas, elevadores para residências, lojas e começa a estudar a fabricação de elevadores para navios. A empresa fechou parceria com a divisão de elevadores da japonesa Mitsubishi para projetos especiais. “Fomos procurados por outras empresas que também queriam fechar parcerias”, diz Jomar Villarta, sócio. De acordo com o empresário, companhias estrangeiras estão procurando as nacionais para fazer negócio. “Tive outras propostas.” A americana Otis comprou empresas pequenas, sobretudo no Rio de Janeiro.

Segundo Villarta, no ano passado a empresa cresceu 15%. “A entrada dos chineses no mercado de peças barateou os elevadores e abriu o mercado de elevadores para residências de alto padrão”, afirma. “Um elevador de duas paradas que custava R$ 80 mil há cinco anos, hoje é vendido a R$ 50 mil”, completa.

Outro efeito colateral da entrada dos produtos chineses é que o mercado brasileiro passou a ser mais montador do que um fabricante propriamente. “Há 10 anos, havia 40 mil empregados na fabricação. Hoje, não chega a 20 mil”, diz.

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