Setor pode lançar menos imóveis outra vez em 2013


(Valor Econômico) – 26/12/12

As incorporadoras de capital aberto podem enfrentar, em 2013, novo ano de dificuldades para lançar imóveis, após expressiva redução dos novos projetos apresentados ao mercado em 2012. A maior parte das incorporadoras de capital aberto evita sinalizar qual será seu tamanho em 2013, mas já se espera que empresas que ainda não concluíram seus processos de arrumação da casa – principalmente, PDG Realty, Rossi Residencial e Gafisa – possam ter outro ano de redução do Valor Geral de Vendas (VGV) de novos projetos.

Procuradas pelo Valor, PDG e Gafisa informaram que não iriam se pronunciar, e Rossi disse que não comenta especulações de mercado.

Por causa do ciclo longo do setor, os resultados trimestrais de parte das incorporadoras ainda terão impacto de problemas já identificados, como estouros de orçamento, até que os projetos menos rentáveis sejam entregues. As empresas têm como desafio encerrar o ciclo imobiliário iniciado nos primeiros anos após a onda de abertura de capital, com conclusão das obras, repasse dos recebíveis dos clientes para os bancos e geração de caixa.

A expectativa é que novos problemas possam ser identificados em algumas incorporadoras. “Não nos espantará se houver novos estouros de orçamento na PDG, na Rossi e na Gafisa”, diz o analista de construção civil da BES Securities, Eduardo Silveira.

Durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, a PDG cancelou, formalmente, a meta de lançamentos para 2012 e informou revisões em curso, inclusive a de todas as obras. Gafisa ainda precisa equacionar pontos como nível de endividamento – no fim de setembro, a relação entre dívida líquida e Ebitda era de 106%. A relação entre dívida líquida e patrimônio líquido da Rossi era de 153,2% no fim do terceiro trimestre, parcela que cairia para 96,6% se considerados os R$ 600 milhões do aumento de capital em curso.

Segundo Silveira, essas três incorporadoras, além de Tecnisa – em menor grau – são as que poderão lançar menos em 2013 do que neste ano, entre as que fazem parte da cobertura da BES. Conforme o analista, se o lançamento dos primeiros empreendimentos do Jardim das Perdizes, na zona oeste de São Paulo, ocorrer em 2013, o ritmo de projetos da Tecnisa voltará à normalidade. O lançamento da primeira fase do maior projeto da companhia, previsto para este ano, foi postergado para 2013.

A Tecnisa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não faria comentários sobre lançamentos em 2013 por não ter fechado previsão para o ano.

Em 2012, o setor diminuiu o ritmo de lançamentos por razões relacionadas às próprias empresas – como grande volume de estoques prontos ou quase concluídos que precisava ser vendido, endividamento elevado e busca da geração de caixa – e por fatores como atrasos na concessão de licenças dos projetos por parte dos órgãos públicos.

O prazo para as aprovações de projetos pelos órgãos públicos, principalmente pela Prefeitura de São Paulo, pode afetar o ritmo de lançamentos, novamente, em 2013. Esta foi uma das principais causas apontadas pelas incorporadoras, durante 2012, para as reduções de metas.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Prefeitura de São Paulo informou que o ritmo de análises de processos na Secretaria de Habitação (Sehab) segue normal e que, até o fim de setembro, a média ficou semelhante à dos anos anteriores. A prefeitura reconhece que existe grande estoque de processos em análise – 7,1 mil – e diz que, para reduzir prazos, têm tomado medidas como contratação de novos técnicos, informatização, revisão e simplificação de procedimentos.

No setor, há comentários também de que a transição da gestão da Prefeitura de São Paulo pode se refletir em prazos maiores para a concessão de licenças para projetos no começo de 2013.

Por outro lado, há quem aposte na aceleração do volume de lançamentos no início do ano, devido ao rescaldo de parte dos projetos que estavam, inicialmente, previstos para 2012, mas foram adiados.

“O ano de 2012 mostrou o quão difícil é prever o que acontece no mercado. É absurdo o volume de lançamentos que estava previsto, mas não ocorreu”, afirma o diretor-presidente da Brasil Brokers, Sergio Freire.

O executivo da Brasil Brokers diz esperar para 2013 volume de lançamentos, no mercado, um pouco maior que os de 2012 e crescimento das vendas. Na comparação com 2011, Freire estima lançamentos menores e vendas semelhantes de imóveis.

A desaceleração do nível de atividades das incorporadoras em 2012 incluiu a diminuição da compra de terrenos. “As empresas estão mais seletivas na compra de áreas. Nos momentos de euforia, as aquisições de terrenos foram feitas com menos filtro”, diz Sergio Ferrador, presidente da SFSA Desenvolvimento Imobiliário. Mas, segundo Ferrador, mesmo com mais rigor nas compras de áreas, as empresas fizeram aquisições e têm assegurados pelo menos 80% dos terrenos para os lançamentos de 2013.

Há menos euforia também na tomada de decisão de compra de imóveis pelos consumidores. Sem temor de que as altas acentuadas de preços dos últimos anos possam ocorrer novamente, potenciais compradores estão mais cautelosos. Desde o início de 2012, os interessados têm visitado mais plantões de venda e levado mais tempo para bater o martelo da compra. Cautela não significa, porém, retração de demanda nem de crédito. Em 2013, haverá crescimento do financiamento habitacional tanto para pessoas físicas quanto para empresas, conforme já divulgou o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Octavio de Lazari Junior.

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