Destino de resíduos da obra do metrô de Curitiba é um desafio ambiental


(Gazeta do Povo) – 21/09/15

Cerca de 1,5 milhão de m³ de terra serão retirados para a abertura de túneis. O estudo de impacto ambiental da obra será discutido no dia 22/09/15 em audiência pública

Trecho da Avenida República Argentina a partir da Praça do Japão, por onde se prevê a passagem do metrô

Trecho da Avenida República Argentina a partir da Praça do Japão, por onde se prevê a passagem do metrô

Para aonde destinar toda a terra que será retirada com a escavação do túnel do metrô de Curitiba? Esse será o principal problema ambiental gerados pela obra, ainda sem previsão de início. De acordo com o Estudo Complementar de Impacto Ambiental (EIA-Rima) do metrô, a cada dois metros de escavação, 200 metros cúbicos de terra e outros resíduos serão retirados. Esta primeira etapa do empreendimento prevê 17,6 quilômetros de linha – dos quais, apenas 2,4 quilômetros serão elevados. Isso significará cerca de 1,5 milhão de m³ de terra a serem trazidos à superfície.

A destinação de todo esse material – as chamadas áreas de bota-fora – serão um dos temas discutidos nesta terça-feira (22), durante audiência pública do EIA-Rima complementar do metrô. O estudo aponta que o melhor seria buscar espaços na região sul de Curitiba – onde ficará o emboque do túnel – para essa destinação. Isso possibilitaria uma economia com o transporte da terra e evitaria que a obra causasse mais transtornos ao trânsito.

“Se o caminhão tiver de dar voltas na cidade para deixar a terra retirada, vamos criar outro problema”, avalia a bióloga Gisele Cristina Sessegolo, da empresa Ecossistema Consultoria Ambiental, responsável pela elaboração do estudo. Embora o relatório identifique áreas na cidade que poderiam receber essa terra (veja no mapa), os chamados vazios urbanos de Curitiba, não é possível dizer onde será o provável destino dos resíduos do metrô.

Além de oferecer espaço, o local também precisará de ter uma licença ambiental para a atividade. “Só próximo do início da obra deverá ser feita uma avaliação das áreas possíveis para receber o material e como se dará a aquisição ou o aluguel delas, que deverão ter licenciamento ambiental para este fim”, explica Gisele.

Ela destaca a experiência da Linha Lilás do metrô de São Paulo. Lá, a terra da escavação foi enviada para uma antiga área de mineração, que depois foi transformada em um parque. De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Curitiba, Renato Lima, a prefeitura considerada a criação de um “novo elemento de paisagem” no local que receberá os resíduos. Mas, por enquanto, nada está definido.

R$ 15 milhões deverão ser aplicados em áreas verdes urbanas
Um valor equivalente a 0,27% do valor total da obra do metrô deverá ser destinado a medidas compensatórias ambientais.

Considerando o orçamento total da obra, estimada em R$ 5,5 bilhão, isso significa a aplicação de cerca de R$ 15 milhões em áreas verdes urbanas. Para chegar a esse número, a empresa responsável pela elaboração do Estudo complementar de Impacto Ambiental do Metrô considerou os efeitos do empreendimento sobre cinco componentes – localização, porte, fatores ambientais, sócio/cultural/econômico e matriz de impacto.

Para cada um deles, foi dado uma nota – que vai de 1 a 5 – e equivale ao grau de impacto do empreendimento.

Com a mudança no sistema de escavação – de Cut and Cover para Shield, ou “tatuzão” – esses impactos foram reduzidos, o que levou também a uma diminuição no valor de compensação.

No estudo ambiental de 2011, a previsão era de que Curitiba investiria R$ 69 milhões em medidas de compensação ambiental. “O espaço que será mais afetado é o pátio de manobras, e ele mesmo já está muito degradado”, afirma a bióloga Gisele Sessegolo, responsável pela elaboração do estudo.

Quem efetivamente pagará essa compensação – município, estado ou União – e em quais áreas verdes ela será aplicada exatamente ninguém sabe. Isso ainda precisa ser decidido.

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