Setor de locação vive seus meses mais agitados


(Gazeta do Povo) – 21/01/09

Estudantes e trabalhadores que foram transferidos para Curitiba com a família são a maior parte dos clientes que movimentam as imobiliárias da cidade nestes primeiros meses do ano, considerado o “Natal” do segmento

Se para os comerciantes de Curitiba as datas comemorativas são sinônimo de lucratividade, para as imobiliárias esse período são os primeiros meses do ano (janeiro, fevereiro e março). Em função das férias escolares, a maior parte das transferências de emprego ocorre nessa época. Esses trabalhadores vindos de outras cidades, muitas vezes com a família toda, são o segundo público mais importante do período. O primeiro são os estudantes. “Eles correspondem a 60% dos clientes que nos procuram de janeiro a abril, meses que, de tão movimentados, representam 40% do nosso resultado anual. Este ano, com o carnaval mais tarde, o movimento está ainda maior, 30% a mais do que em janeiro de 2008”, diz o diretor de locação da Apolar Imóveis, Jorge Biancamano.

Na imobiliária Galvão o movimento cresce de 40% a 50% nesse período. “Os estudantes, na faixa etária de 20 a 30 anos, são os principais responsáveis por esse aumento”, diz a gerente executiva da empresa, Marise Hartmann.

Segundo Biancamano, 40% dos estudantes que procuram a Apolar buscam apartamentos de um quarto, com aluguel entre R$ 400 e R$ 700, nos bairros Centro (por conta das sedes da Universidade Federal do Paraná e cursinhos), Rebouças (por causa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná) e Batel. “Para os outros bairros próximos ao Centro, como o Água Verde e o Cabral, sobra 15% da procura.” É justamente nesses bairros centrais que estão concentrados os imóveis de poucos quartos da cidade.

Do público de trabalhadores transferidos, um grupo em especial está movimentando o setor de locação da capital paranaense. São os funcionários e empreiteiros envolvidos na ampliação da refinaria da Petrobrás, a Repar, em Araucária. “São cerca de 8 mil pessoas, entre trabalhadores transferidos, contratados e empreiteiros envolvidos na ampliação, que estão movimentando bastante o mercado de locação em Curitiba neste ano”, afirma o diretor da Administradora Gonzaga, Antônio Roberto Gonzaga. Para dar conta de tanta procura, cerca de 70 a 80 imóveis entram toda semana na carteira da administradora.

Gonzaga diz que, ao contrário do que ocorreu no ano passado, quando a maior parte dos imóveis passou por uma atualização de preços em seus aluguéis (em torno de 30%), este ano não devem se mostrar acima dos praticados em 2008. “Esse reajuste aconteceu no ano passado em contratos que estavam vigentes desde 2002 e 2003 e que estavam com valores defasados.”

Conservação

Na busca pelo imóvel ideal a principal reclamação dos clientes é quanto à conservação do imóvel. Esse é o caso da estudante Marina Bianchi, que está vindo de Chapecó, Santa Catarina, para cursar Engenharia Civil na Universidade Positivo e alugou um apartamento de um quarto no Centro. “Procurando desde o início de janeiro, demorei bastante para encontrar um imóvel que gostasse. A maioria que visitei estava em péssimas condições.”

Para quem vem com a família as dificuldades não são diferentes. “Encontrei muitos apartamentos com móveis e eletrodomésticos velhos, que precisariam de manutenção constante, além de terem uma forração de carpete antiga”, diz o professor universitário Norberto Fernando Kuchenbecker, que morou em Curitiba há dez anos e retornou para assumir uma coordenação na Universidade Tuiuti. Um dos motivos para a mudança da família de Norberto de Joinville para Curitiba é que o filho mais velho dele, que cursa o ensino médio, quer fazer faculdade na UFPR. A família veio em dezembro a tempo de passar as festas de fim de ano na casa nova.

Ele selecionou 16 imóveis pela internet e veio quatro vezes a Curitiba para visitar os lugares. “O apartamento que escolhi, no Bigorrilho, é semi mobiliado, com espaço para usar os meus próprios eletrodomésticos e piso laminado de madeira”.

Dividindo espaço

Por serem poucos e tão procurados, os apartamentos de um quarto são tão valorizados em Curitiba que algumas vezes compensa procurar um imóvel maior, de dois ou três quartos, e dividir o espaço e as despesas com parentes ou amigos. A estudante Fabiana Merêncio, de 23 anos, fez isso. Ela alugou um apartamento de dois quartos, para ela e a irmã que está vindo de Ponta Grossa. “Para isso fui atrás de um imóvel maior, de 40 a 45 metros quadrados, quando a maioria tem até 35 metros quadrados. Foi difícil de encontrar na região que queria, que fica perto da Reitoria da UFPR, no Centro, e é bastante disputada, mas consegui”. O apartamento encontrado por Fabiana tem aluguel de R$ 600, fora condomínio.

Recomendações

Confira algumas dicas para agilizar o processo de locação:

– Visite a imobiliária com o perfil do imóvel definido, com tamanho, número de dormitórios e bairros escolhidos. Isso facilita a busca do agente de negócios.

– Após escollhido o imóvel, é usual que a imobiliária peça o pagamento de uma reserva (valor que gira em torno de 10% do aluguel). Esse valor tem de ser descontado do primeiro aluguel do imóvel. Caso o negócio não se concretize o valor deve ser devolvido. O cliente precisa sempre pedir um recibo desse pagamento para que tenha como reclamar a quantia caso a imobiliária se negue a devolver.

– Reúna a sua documentação e a do fiador com antecedência. Há variações de imobiliária para imobiliária, mas alguns pedidos são de praxe. Para o locatário, RG, CPF, declaração de matrícula na universidade (para estudantes que busquem a Apolar) e comprovante de rendimento (fotocópia da anotação da carteira de trabalho, com nome da empresa, cargo e salário, ou, no caso de funcionário público, contracheque e uma declaração do departamento de recursos humanos).

– Para o fiador, RG e CPF (inclusive do cônjuge), certidão de casamento, comprovante de residência e rendimentos (cópia da carteira de trabalho ou declaração do imposto de renda) e cópia do registro de um imóvel quitado atualizada. Fora o imóvel, é normalmente exigido que o fiador tenha uma renda de, ao menos, três vezes o valor do aluguel.

– Além de um fiador, que é a opção mais comum, também há outras opções de garantia, como seguro-fiança, depósito-caução (no valor de três aluguéis adiantados, caso que normalmente exige mais análise como a estabilidade de 2 ou 3 anos em um mesmo emprego), e averbação em cartório da vinculação de um imóvel quitado para garantir o contrato de locação (alternativa dada pela Administradora Gonzaga cujo custo no cartório é de cerca de R$ 380).

Fontes: Apolar Imóveis, Administradora Gonzaga e Procon-PR.

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