Endividada, Rossi venderá prédios em blocos para elevar caixa


(Folha de São Paulo) – 20/08/15

A Rossi, uma das maiores incorporadoras do país, iniciou processo de reestruturação para tentar engordar o caixa e enfrentar o mau momento da construção.

Com dívida de R$ 2,1 bilhões, a Rossi tinha pouco mais de R$ 300 milhões em caixa no final de junho.

A maior parte da dívida hoje é corporativa, e 55% vencem até o fim de 2016.

Com o que tem disponível hoje, há recursos suficientes para fazer frente aos compromissos até o primeiro trimestre de 2016.

Mas o comando da empresa preocupa-se com os vencimentos futuros. Diante disso, o fundador da empresa e presidente do conselho de administração, João Rossi, contratou a consultoria RK.

Chamou ainda o executivo José Paim, que ajudou a fundar a incorporadora nos anos 1980 e foi um dos responsáveis por levá-la ao grupo das grandes construtoras.

Paim e cerca de cinco executivos da RK estão desde a semana passada esquadrinhando os números e a estratégia da empresa.

A ideia é resgatar não só as finanças mas também a confiança do mercado. As ações da Rossi chegaram a valer quase R$ 90,00 em 2010; hoje, estão cotadas a R$ 0,64.

Na área financeira, um dos planos em avaliação é o repasse de edifícios inteiros que estejam prontos ou em construção avançada, segundo apurou a Folha. Ao vendê-los em “blocos” a terceiros, como fundos especializados, a empresa garantiria uma injeção imediata de capital.

Pelo sistema, a Rossi repassaria os ativos com desconto e negociaria uma forma de remuneração adicional no futuro caso as vendas dos imóveis seja bem-sucedida.
Se concretizada, a operação substituiria, assim, a necessidade de capitalização financeira na companhia.

A empresa deseja ainda acelerar a negociação com bancos para a rolagem da dívida, dando mais folga no caixa. Em junho, já havia conseguido o compromisso de dois deles para adiar por um ano o pagamento de R$ 240 milhões em dívidas que venceriam entre 2015 e 2016.

TEMPOS BICUDOS
O movimento da Rossi ocorre num momento de desaceleração das vendas e aumento do volume de cancelamentos no mercado.

A incorporadora faturou R$ 740 milhões no primeiro semestre deste ano. Em 2012, no auge das vendas, a receita fora de R$ 1,6 bilhão.

A empresa iniciou ainda no ano passado uma espécie de limpeza na sua carteira de clientes, acelerando a rescisão dos contratos de venda com os consumidores que enfrentavam dificuldade em conseguir financiamento.

A estratégia de antecipar os rompimentos fez com que reduzisse significativamente o número de distratos neste ano. No segundo trimestre, foi uma das poucas a registrar aumento nas vendas líquidas -indicador que exclui as desistências de compra por parte dos clientes.

Em 2015, também não houve lançamentos, o que ajudou a reduzir as despesas, e 20% do empregados administrativos já foram demitidos.

As medidas, contudo, ainda não foram suficientes para reverter o prejuízo. De janeiro a junho, ficou no vermelho em R$ 206,5 milhões.

Uma alteração no conselho de administração deve ocorrer em breve e não estão descartadas mudanças na diretoria-executiva. Nesta semana, João Rossi indicou um novo diretor financeiro, cargo que era acumulado pelo presidente, Leonardo Diniz.

Quando voltar a lançar, a ideia é que a empresa reduz ainda mais o número de praças -com preferência às grandes regiões metropolitanas do Sudeste.

Procurada, a empresa afirmou que recebeu consulta de “vários fundos e estuda todas as operações, mas “até o momento nenhuma se mostrou interessante”. Afirmou ainda que está confiante no seu plano de redução de dívida e que gerou “R$ 636 milhões de caixa nos últimos 12 meses”.

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