Arauco usa software de apenas US$ 5 mil para derrubar mitos e custos


(Gazeta do Povo) – 24/10/16

Executivo curitibano será premiado pelo desenvolvimento do modelo, que ajuda a companhia florestal a planejar a produção em três países

As nove fábricas da Arauco na América do Sul produzem 50 tipos de painéis de madeira, vendidos em 80 países. Dentre inúmeras combinações possíveis, qual distribuição de tarefas garantirá a maior geração de caixa? Quem dá a resposta, e anda ditando as decisões na empresa, é um programa de computador.

Alimentado por informações trazidas pelos funcionários – o custo das matérias-primas, os estoques de cada unidade, o ritmo de produção de cada máquina, as despesas de transporte e os preços de venda nos diferentes mercados –, o software aponta qual o “mix” mais rentável. Ou seja, o que cada fábrica deve produzir, para qual cliente e em que quantidade. Ele é capaz, também, de alertar quando o melhor é recusar um pedido ou mesmo tirar de linha determinado item.

O executivo que liderou o desenvolvimento desse sistema será homenageado na próxima quinta-feira (27) pela seção paranaense do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-PR). O curitibano Rogério Latchuk, diretor de administração e finanças da Arauco do Brasil, receberá o Troféu Equilibrista, prêmio concedido desde 1985 aos mais destacados profissionais da área no estado.

O que mais chamou atenção dos jurados do Ibef-PR, que escolheram o “case” da Arauco dentre os cinco finalistas deste ano, foi a simplicidade e o baixo custo do projeto. Encomendado pela matriz da companhia, no Chile, o sistema foi desenvolvido por Latchuk e sua equipe sobre um software chamado What’sBest!, que é “embutido” em planilhas eletrônicas do Microsoft Excel.

“É uma ferramenta estrangeira, que custa em torno de US$ 5 mil. Convenci meus superiores de que valia a pena apostar”, diz o executivo. “Esse modelo pode ser aplicado em praticamente qualquer empresa. Pessoas acostumadas a trabalhar com planilhas eletrônicas não terão maiores dificuldades em programá-lo.”

Em operação há dois anos, o “modelo três países” ajuda a Arauco a planejar de forma integrada a produção de quatro fábricas no Chile, duas na Argentina e três no Brasil, todas no Paraná. Ele orienta decisões do dia a dia e outras nada triviais, como a suspensão, por quatro meses, do terceiro turno de uma das unidades brasileiras, em 2015.

Mas o maior ganho, avalia Latchuk, é a quebra de paradigmas. O uso do software mostrou que ações aparentemente óbvias, repetidas ao longo do tempo sem questionamentos, podem não ser as mais rentáveis.

“O modelo desmistificou algumas coisas”, conta o executivo. “Temos um painel de madeira que era fabricado apenas em uma linha de produção, mais produtiva. Mas o modelo indicou que esse produto deveria ser feito em outra linha, menos produtiva. No começo, ninguém entendeu. Mas, analisando a resposta, notamos que esse deslocamento abriria espaço para a produção de outros itens, com mais rendimento, na primeira linha. E, no fim das contas, essa combinação era mais vantajosa.”

O MODELO
O software da Arauco usa os princípios da programação linear, na qual problemas são traduzidos em equações matemáticas que, executadas, apontam os resultados “ótimos”. Essa ferramenta começou a ser usada na Segunda Guerra Mundial, para decidir a melhor distribuição de recursos escassos como combustível e alimentos, conforme o posicionamento das tropas.

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